Jogos de celular e as crianças: o que os pais precisam saber
Por Daniela Cracel

Os jogos de celular se tornaram parte da infância moderna, oferecendo diversão e até aprendizado. No entanto, também podem esconder perigos invisíveis, especialmente quando há interação online com desconhecidos.
Ana, 11 anos, parecia estar bem. Passava horas jogando no celular e interagindo com um novo amigo virtual, que sempre a elogiava e dizia palavras gentis. A mãe, ao notar a mudança no comportamento da filha, decidiu investigar. Descobriu que o "amigo" era um adulto que fazia comentários cada vez mais inapropriados, aproveitando a ingenuidade da menina. Ana não entendia que estava sendo manipulada—para ela, eram apenas elogios. Esse caso real chegou ao meu consultório e revelou a necessidade urgente de educar as crianças sobre abusos emocionais e psicológicos.
Casos como o de Ana mostram a necessidade de ensinar às crianças, desde cedo, a diferença entre um elogio genuíno e uma tentativa de manipulação. Muitas vezes, os pequenos não percebem que estão sendo alvos de abuso emocional ou psicológico. Segundo a neuropsicologia, a infância é um período de intenso aprendizado, no qual o cérebro ainda está formando conexões sobre segurança, relações interpessoais e autoconfiança.
Para proteger as crianças, é essencial supervisionar os jogos e redes sociais, verificar a classificação indicativa dos aplicativos e as interações online, orientar sobre privacidade e explicar que informações pessoais nunca devem ser compartilhadas. Além disso, é fundamental falar sobre relações saudáveis, ensinar a identificar comportamentos inadequados, mesmo que venham disfarçados de gentileza, e estabelecer um canal de confiança para que a criança saiba que pode falar com os pais sem medo.
O mundo digital pode ser um espaço seguro, desde que os pais estejam atentos e preparados para orientar seus filhos. O diálogo e a educação sobre o tema são as principais ferramentas para proteger a infância.
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